Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Limiar

 

Poderá o silêncio apagar-te de mim?

O olhar renasce

nos gestos inacabados,

nas memórias

que esculpiram um sorriso,

e plasmaram, em tons isómeros,

cadências que escondem

o contorno ténue, quase ausente

do teu rosto.

Trago comigo

a força dos dias de solidão.

Mascarada de mim

restauro, já sem forças,

uma imagem que quero,

que exijo eterna

mas...os meus dedos já não seguram,

os meus olhos não a vêem,

e largo-a

numa profunda ausência de ti.

Surge agora o deserto de um livro,

o virar vertiginoso da página lida,

a sombra das palavras,  impedem-me de prosseguir...

E o tempo, desfaz-se em vitrais de água,

que escorre, lento,

devasso

inventa,

a escassez de nós,

e, atordoado, despenha-se na cruel imagem

da desolação. 

Poderá a memória apagar-me a solidão?

 

Tindersticks - Buried Bones

Foto: Sílvia Afonso

publicado por Sara Rocha às 16:11
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